
Mesbla processa Bradesco e pede R$ 7,9 bilhões
A Mesbla S/A, marca que não desapareceu após a quebra das diversas empresas do Grupo Mesbla, há quase dez anos, entrou com ação na 3ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro requerendo indenização de R$ 7,9 bilhões do Bradesco. O advogado da Mesbla no caso, Wladymir Soares de Brito, sustenta, na ação, que o banco teria sido o principal responsável pela falência do grupo ao protelar, em 1998, a emissão de R$ 420 milhões em debêntures que seriam usadas na reestruturação.
"O Bradesco sempre foi financiador dos negócios do grupo e a emissão das debêntures foi decidida também pelo banco, que tinha dois dos cinco conselheiros da Mesbla. Quando, por fax, o senhor Lázaro Brandão disse: 'Emito, mas vocês vão me pagar o que estão me devendo', deixou de ser sócio, parceiro, bancador da situação, para passar à posição de credor hostil. Sinalizou para o mercado que a Mesbla estava quebrando. Cortou todas as linhas de crédito ao grupo e a seus fornecedores e aí foi uma debandada geral", diz o advogado.
Procurada, a direção do Bradesco informou, por meio de sua assessoria, apenas desconhecer o assunto. A ação da Mesbla foi amparada em acórdão favorável proferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em outra ação contra o banco movida pelo Grupo Mappin, que havia perdido a causa em primeira instância e recorreu.
Ambas as empresas, Mappin e Mesbla, haviam sido compradas pelo empresário Ricardo Mansur, respectivamente em 1996 e 1997, com o aval do Bradesco. Segundo o advogado Soares de Brito, Mansur e Brandão "tinham participação societária juntos em várias empresas". Ele não soube informar o que teria motivado o desentendimento entre eles. O advogado informa, ainda, que a ação foi fundamentada também em uma decisão da Comissão de Valores Mobiliários que multou o Bradesco em R$ 8,4 milhões por violação legal no processo de emissão de debêntures.
O dinheiro que seria arrecadado com a colocação dos papéis no mercado seria utilizado, segundo ele, em investimentos na ampliação das áreas de vendas do grupo, na reforma estrutural das unidades, atualização tecnológica e capital de giro. Para calcular o valor da indenização pedida à Justiça, ele usou como parâmetro o valor das Lojas Renner, empresa de departamentos com cotação em Bolsa de Valores. "Na época em que quebrou, a Mesbla valia o que hoje corresponderia a dez vezes o valor das Lojas Renner, cotada em R$ 4 bilhões", diz Soares de Brito, informando que Ricardo Mansur, dono da marca Mesbla, pretende reativar o grupo com a indenização pedida.